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A Busca pelo Corpo Perfeito e os Seus Perigos

  • Foto do escritor: Daniela Moreira
    Daniela Moreira
  • 24 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de mar.

A musculação é uma das práticas desportivas mais populares no mundo moderno, frequentemente promovida como a “chave” para um corpo saudável e esteticamente desejado. A crescente busca por resultados rápidos, aliada à cultura da "performance máxima", tem levado um número cada vez maior de pessoas a entregar-se de corpo e alma aos treinos de força. Contudo, por detrás dos benefícios amplamente divulgados, a prática da musculação também apresenta uma série de riscos que merecem atenção, especialmente quando praticada sem equilíbrio e responsabilidade.


Os riscos e perigos da musculação


Um dos principais riscos associados a esta prática desportiva  é o aumento da incidência de lesões. O excesso de carga, a execução incorreta dos exercícios (por falta de técnica ou atenção) e a ausência de orientação profissional na execução dos mesmos são exemplos de fatores que podem comprometer a integridade física do praticante. De acordo com os especialistas, grande parte das lesões são causadas pela sobrecarga muscular, resultado do aumento excessivo do peso utilizado na realização dos treinos na tentativa de obter resultados num curto espaço de tempo. Esta urgência na obtenção de resultados pode gerar uma falsa sensação de progresso, pois o corpo, na realidade, acaba por ser submetido a uma sobrecarga excessiva, que provoca um desgaste acentuado. Outro aspeto negativo da musculação relaciona-se com a pressão estética que, consequentemente, pode levar à adoção de dietas extremamente restritivas e ao uso indiscriminado de suplementos alimentares. A busca incessante pelo físico perfeito pode resultar no desenvolvimento de distúrbios alimentares, a saber: ortorexia (caracterizada pela obsessão por uma alimentação "saudável") ou anorexia, que se define por uma restrição alimentar severa com o propósito de evitar o ganho de peso.


Uso de suplementos e consequente impacto psicológico e social


O consumo de suplementos, muitas vezes realizado sem a necessária orientação de um profissional de saúde, tem crescido consideravelmente. Muitos praticantes recorrem a complementos alimentares,  como creatina, proteína e suplementos de pré-treino, na esperança de melhorar o desempenho; no entanto, o uso inadequado dessas substâncias pode acarretar sérios efeitos colaterais, incluindo problemas renais, desidratação e desequilíbrios hormonais.


A procura por um rendimento superior, a comparação constante com outros desportistas e a busca pelo "corpo ideal" podem, ainda, gerar um ciclo de treino excessivo e, até mesmo, levar ao uso de substâncias ilícitas, como esteroides anabolizantes, com o intuito de  acelerar os ganhos musculares. Essa dependência psicológica relativamente à musculação, além de poder resultar em treinos compulsivos, poderá levar a negligenciar o descanso, tal como, possivelmente, terá impactos negativos na saúde mental do praticante.


Outra questão  frequentemente subestimada  prende-se com o impacto da musculação na vida social e emocional daqueles que a praticam. A dedicação intensa ao treino, muitas vezes, compromete a vida pessoal e o equilíbrio psicológico. O foco excessivo na imagem corporal pode levar ao afastamento de atividades sociais e a sensação de não estar “suficientemente treinado" pode provocar  ansiedade e stress. Além disso, ao seguir uma rotina rígida de treino e dieta, o indivíduo tende a  desvalorizar outros aspectos da vida, como lazer, convívio familiar e relações interpessoais.


Prática responsável e foco no bem-estar


Embora a musculação ofereça uma série de benefícios, como aumento da força, resistência e melhoria da saúde cardiovascular, é imprescindível que esta prática seja realizada com responsabilidade. Lesões, distúrbios alimentares, transtornos psicológicos e os impactos negativos na vida social são apenas alguns dos aspectos danosos que podem surgir quando os limites são ultrapassados. 

Para que a musculação se torne uma aliada na busca por uma vida saudável, é fundamental que o foco do praticante não se restrinja exclusivamente ao ganho muscular, devendo procurar igualmente  o bem-estar geral, incluindo a saúde mental, emocional e social. A cultura do "corpo perfeito" deve ser substituída por uma abordagem mais holística do exercício físico, em que o objetivo principal seja melhorar a qualidade de vida,  não apenas a aparência física.


Daniela Moreira

Departamento Desporto


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