Fórmula 1: A Velocidade, a Tecnologia e o Negócio por Trás das Corridas
- Daniela Moreira
- 24 de fev.
- 3 min de leitura
A Fórmula 1 (F1) é amplamente reconhecida como um dos desportos mais prestigiosos do automobilismo mundial, não se resumindo apenas a competições emocionantes e a pilotos talentosos. Subjacente às corridas de alta velocidade e às disputas entre equipas, existe um complexo ecossistema financeiro que movimenta milhões de euros anualmente, envolvendo uma série de investidores, patrocinadores, direitos de mídia e tecnologia.
Os carros de F1 são máquinas de alta tecnologia, projetadas para atingir velocidades impressionantes, com motores bastante desenvolvidos, sistemas aerodinâmicos avançados e componentes de carbono ultra-resistentes. A F1 é, assim, não apenas um grande espetáculo de velocidade, mas também um grande negócio.
Desta forma, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) estabeleceu, em 2022, um limite orçamental de 140 milhões de euros, com o objetivo de reduzir discrepâncias entre equipas. Contudo, esta decisão foi alvo de diversas críticas, já que os automóveis são compostos, aproximadamente, por 14.500 peças, as quais têm um custo monetário muito elevado. A título de exemplo, apenas o volante apresenta o custo estimado de cerca de 100 mil euros (estes dados foram retirados do site The Sporting News, em concreto, do artigo “ How much does an F1 car cost in 2024? Key parts, history of most expensive Formula 1 cars”).
Para lá das tecnicalidades do veículo, outros fatores contribuem para o sucesso de uma equipa. Entre eles, destaca-se a estratégia de equipa, que envolve imensas decisões a cargo de um chefe de equipa e dos seus estrategas, que têm de as tomar, muitas vezes, de um momento para o outro. Decisões sobre o momento ideal para trocar pneus, a escolha do tipo de pneu mais adequado a ser usado em condições meteorológicas adversas e a comunicação eficiente com o piloto durante a corrida, podem ser determinantes para o resultado final. A Fórmula 1 é uma modalidade onde a margem entre a vitória e a derrota se pode resumir a escassos milésimos de segundo, exigindo das equipas uma capacidade de adaptação quase instantânea às constantes mudanças que ocorrem durante a competição.
Outro fator que merece destaque é o papel dos pilotos que, além de serem o rosto das equipas nas corridas, têm um impacto significativo no design dos carros e nas escolhas estratégicas feitas no decorrer das provas. A troca constante de informações entre pilotos e engenheiros ao longo de uma corrida pode ser a chave para o sucesso. A análise precisa dos dados de telemetria, a capacidade de adaptação às condições variáveis da pista e a interação com os mecânicos durante os pit stops são apenas algumas das habilidades que transformam um piloto num verdadeiro líder, dentro do cockpit.
Num outro nível, é relevante explorar os desafios associados à F1 enquanto prática desportiva, além daqueles que as equipas enfrentam no seu quotidiano. A busca por maior sustentabilidade, com a implementação de carros híbridos e o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2030, é uma das grandes prioridades da FIA e das equipas, na medida em que os carros libertam gases prejudiciais, tanto para a saúde humana, como para o meio ambiente. Consequentemente, a atuação da FIA tem-se encaminhado no sentido de mitigar este impacto negativo, como, por exemplo, através do desenvolvimento de um combustível mais sustentável e da diminuição de plásticos descartáveis.
Ademais, a pandemia impactou profundamente o calendário de corridas, forçando a categoria a adaptar-se a novas realidades, incluindo a realização de provas sem público e a implementação de protocolos sanitários rigorosos.
Outro desafio, embora mitigado e em recessão, é a falta de diversidade de pilotos e fãs . A Fórmula 1 tem-se esforçado para tornar o desporto mais inclusivo e acessível, destacando-se iniciativas como o programa "We Race As One", que visa combater o racismo e promover a igualdade de género. Paralelamente, as equipas têm investido, cada vez mais, na promoção da inclusão, através de programas de mentoria para jovens talentos oriundos de várias origens. Estes esforços têm originado uma onda crescente de diversidades quer de pilotos, quer de fãs.
Para finalizar, não posso deixar de mencionar Max Verstappen e parabenizá-lo pela conquista de mais um campeonato. Este triunfo representa mais uma vitória para a Red Bull e menos uma para as demais. Como adepta deste desporto e, em especial, de Verstappen, desejo que, no próximo ano, celebre o seu pentacampeonato - um feito notável que o igualaria a Michael Schumacher, que foi pentacampeão pela Ferrari.
Daniela Moreira
Departamento Desporto
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