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ADN FC PORTO – ONDE ANDAS?

  • Foto do escritor: Hugo Novo
    Hugo Novo
  • 16 de dez. de 2024
  • 6 min de leitura

Após a vergonhosa derrota no clássico contra o rival, ponderei escrever este artigo. Depois da eliminação precoce na quarta eliminatória da Taça de Portugal frente ao Moreirense, tive a certeza de que o iria escrever. Hoje, dia 28 de novembro, na sequência de mais um empate na Liga Europa, e porque a paciência de um portista, principalmente a de um sócio que nasceu campeão europeu e cresceu habituado a ganhar tudo, tem limites muito curtos, começo a escrevê-lo, talvez um pouco em tom de desabafo.

    

Confesso que nem sei por onde começar, sinto-me mais perdido do que a equipa do Porto em campo. Tão à deriva que, por vezes, sinto que até se esquecem da grandeza e da história do emblema que levam ao peito. Desde a direção aos próprios adeptos (muitos ainda em negação pelo resultado das eleições), sinto que o ADN do clube, a cada dia que passa, perde força, cada vez mais esquecido. Apesar de ter a convicção de que isto é passageiro, uma vez que o Futebol Clube do Porto acaba sempre por voltar a triunfar, fruto da sua identidade combativa e vencedora, preocupa-me a inércia por parte do topo da hierarquia administrativa do clube, que parece que está à espera que a época esteja perdida para agir em conformidade.

    

A meu ver, esta falta de atitude e descaracterização do FC Porto tem um rosto bem vincado e já identificado pela massa associativa: o “treinador” Vítor Bruno. 

 

Muito há a dizer sobre Vitor Bruno. Para começar, e porque a passagem desta personagem não começou quando assumiu o cargo de treinador principal, destaco o brilhante papel que desempenhou como treinador-adjunto na equipa técnica comandada pelo treinador mais titulado da nossa história, o inesquecível Sérgio Conceição. Todos se lembram do exemplo de “portismo” que foi este técnico, não obstante o facto de, por vezes, ter-se excedido nas suas atitudes. Quando isso acontecia, o seu braço-direito, o próprio Vítor Bruno, assumia as rédeas da equipa da melhor forma possível. A prova disso é o facto do seu registo como substituto de Conceição nos jogos em que este se encontrava suspenso ser muito melhor do que o registo enquanto treinador principal efetivo. Em 17 jogos, o adjunto venceu 15 e empatou apenas 2, enquanto como treinador principal, em 21 jogos já perdeu 5 e empatou outros 2. Todos estes números, somado  ao facto de ter sido, durante sete épocas, adjunto de um dos melhores treinadores da história do Porto, fizeram com que eu achasse que Vítor Bruno, mesmo não sendo propriamente o melhor treinador do mundo, fosse a escolha mais indicada para substituir um técnico que honrou o legado de José Maria Pedroto, o técnico que enraizou o tal “ADN” do clube em campo. 

    

Porém, sem qualquer explicação possível, a postura deste “treinador” é exatamente  contrária à do seu antecessor e dos outros históricos treinadores que passaram por esta instituição. A nível tático, o que se tem visto em campo é uma autêntica lástima. No aspeto defensivo, são mais os golos sofridos do que os jogos disputados, no entanto nada se compara com a atrocidade que é esta equipa a defender lances de bola parada. Os dois pontos perdidos nos descontos contra um Manchester United com menos um jogador, são um exemplo claro desta debilidade. Já no âmbito ofensivo, nota-se, por vezes, uma ausência de criatividade e de capacidade na construção de oportunidades de golo, algo que é mitigado pela excelente época feita pelo ponta-de-lança Samu até ao momento.

    

Mais preocupante ainda é a apatia geral que a equipa tem demonstrado em campo.  Não temos, como reforça um dos maiores ídolos do Porto, António Oliveira, corrido mais do que os adversários em campo, mas sim  desistido de lances que estariam ao nosso alcance. Para piorar, essa apatia intensifica-se em situações de empate ou de desvantagem no resultado. Perante estas atitudes, o “treinador”, nas conferências de imprensa de antevisão e de rescaldo dos jogos, resume-se a dizer que a responsabilidade é dele, mas que está de consciência tranquila, porque faz sempre o seu melhor, não demonstrando uma mudança de postura que, para além de necessária, já peca por tardia. Ao invés de mudar de comportamento ou assumir que não tem perfil para ser treinador de um clube tão grande como o FC Porto, limita-se a, misteriosamente, fazer desaparecer do onze um jogador como o Vasco Sousa que, desde o início da temporada, demonstra ser a materialização de um jogador “à Porto”, com raça, técnica, qualidade, atitude e resiliência. 

   

Esta situação torna-se ainda pior quando nos damos conta que, enquanto o “ouro da casa”, que Vítor Bruno prometia tanto usar, não tem qualquer tempo de jogo, temos jogadores muito inferiores ao Vasco com, sensivelmente, os mesmos minutos de jogo que o Vasco. Falo, neste caso, do Gonçalo Borges.Claramente, quando se fala neste jogador, não posso deixar de me lembrar quando, por conivência da direção do clube, este ficou no plantel, após ter recusado ir para o Strasbourg da França, impedindo um encaixe financeiro importante para o clube, dada a nossa delicada situação financeira. Por incrível que pareça, e ao contrário do que nós portistas estamos habituados, os interesses coletivos foram colocados atrás dos interesses individuais de um jogador que nem sequer é um dos mais imprescindíveis da equipa. 

  

Esta atitude demonstra que a falta do ADN do clube não está só apenas no “treinador”. A direção, principalmente o filho de uma das maiores figuras da história do FC Porto, um dos vice-presidentes do clube, Rui Pedroto, também tem deixado muito a desejar, e não tem “sido Porto”. 

    

Tenho bastante receio (mas, ao mesmo tempo, tenho quase a certeza) que a decisão de manter o “treinador” seja apoiada pelo vice-presidente Rui Pedroto, dado que, para ele, o Porto está no “ano 0”. Sinceramente, dá-me vergonha que o filho de uma das pessoas que implementou no clube o ADN vencedor, e que entrou sempre em campo para ganhar, do primeiro ao último jogo, mesmo em condições desiguais face aos rivais da capital, tenha a indecência de cuspir na história e na memória do próprio pai no clube, utilizando um discurso apropriado para um clube pequeno que não tem a obrigação de lutar por títulos. Envergonha-me o facto deste senhor em especial não saber que a nossa obrigação é entrar para ganhar todos os jogos e competições que disputamos. 


Ainda assim, nem tudo tem sido negativo. André Villas-Boas, que é um exemplo do que é “ser Porto”, quer como treinador, quer como adepto e quer como, para já, presidente, tem feito um trabalho exemplar na recuperação da saúde financeira do clube, tendo, com a ajuda do diretor desportivo Andoni Zubizarreta, montado uma equipa mais competitiva face à temporada passada de uma forma responsável. Todavia, é incompreensível como é que depois de tantos deslizes, este continue a manter a confiança em alguém que não tem capacidade para ser um treinador de uma equipa de topo. Um dos valores do nosso ADN é a exigência máxima, que é ainda maior nos clássicos. Por isso, é intolerável a permanência de um treinador que vai à capital ser goleado como já não acontecia há cerca de 60 anos, e que mostrou, não só pela sua atitude como pela atitude dos jogadores em campo no jogo em questão, que não faz a mínima ideia do que é jogar um clássico. 


Por fim, permitam-me que refira mais uma importantíssima característica do nosso ADN – a união. Infelizmente, tenho vindo a notar, em alguns adeptos, uma certa satisfação pelo facto da época não estar a correr como o esperado, para terem armas de arremesso contra o novo presidente do Porto. Apesar de ter votado na lista vencedora, como puderam perceber, há decisões e nomes da mesma que não considero que condizem com os valores do Futebol Clube do Porto, o que me leva a criticá-los duramente, dado o meu elevado grau de exigência – o típico grau de exigência portista. Contudo, enquanto estes estiverem no nosso clube, apoiá-los-ei incondicionalmente em todos os jogos e desejá-los-ei o maior sucesso do mundo, pois o sucesso deles será o sucesso do nosso clube. Só há um Porto e por isso temos de estar todos pelo Porto.

  

 Assim, uma vez que, neste momento, falta o ADN do nosso clube, termino com uma frase escrita numa tarja dos nossos adeptos: “Para voltarmos a triunfar, o nosso ADN temos de recuperar”. 


 Hugo Novo

                                                                                   Departamento Desporto


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