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Jogos Paralímpicos de Paris 2024: Avanços, Desafios e a Luta pela Igualdade no Desporto

  • Foto do escritor: Daniela Moreira
    Daniela Moreira
  • 25 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

A 28 de agosto de 2024, mais de quatro mil dos melhores atletas paralímpicos rumaram a Paris, em busca de uma oportunidade única para mostrarem o seu talento perante o mundo. 


Os Jogos Paralímpicos de 2024 revelam-se como um marco na história do desporto adaptado, devido à inclusão de novas modalidades e ao aumento da atenção do público, consolidando um movimento global que visa a garantir e assegurar uma maior acessibilidade e respeito pela diversidade. No entanto, como em qualquer evento de grande dimensão, os desafios permanecem e ainda há diversos  pontos que carecem de ser  aprimorados. 


Reiterando o referido anteriormente, uma das grandes conquistas dos Jogos foi a inclusão de novas modalidades e categorias, como, por exemplo, a modalidade de Futebol de 5 para  pessoas com incapacidade visual e a implementação da competição mista na modalidade de basquetebol, o que permitiu um alargamento do número de atletas em competição, sendo reforçado, desta forma, o espírito de equidade e superação entre todos os envolvidos. 


Outro ponto importante prende-se com o aumento da visibilidade e do reconhecimento. A cobertura jornalística, tomando por referência as edições anteriores, tem aumentado consideravelmente, o que se verificou, igualmente, nesta edição em Paris, pois as olimpíadas paralímpicas atraem cada vez mais a atenção de um público global, não apenas pelo elevado nível técnico, mas também (e sobretudo) pela narrativa inspiradora de superação dos atletas. Adicionalmente, a crescente representação e protagonismo de atletas paralímpicos nos media e nas redes sociais tem contribuído para mudar a percepção social sobre as pessoas com necessidades específicas. Por fim, quanto a este aspeto, é de notar ainda que a popularização dos jogos gera mais oportunidades de patrocínio e investimento, permitindo que mais desportistas se possam dedicar de forma profissional às suas carreiras.

 

Em relação às infraestruturas, os locais de competição foram adaptados para garantir a sua total acessibilidade, através do uso de tecnologias assistivas, como sistemas de áudio para deficietes visuais, rampas adequadas e a presença de intérpretes.


Contudo, nem tudo é um “mar de rosas” e, apesar dos avanços, existe ainda uma disparidade em relação aos recursos financeiros e ao apoio institucional destinado ao desporto paralímpico (especialmente nos países menos desenvolvidos onde os recursos são ainda mais limitados), quando comparado com os recursos gastos no desporto olímpico. A escassez de patrocinadores, centros de treino especializados e apoio logístico limita o potencial de muitos atletas.


Além disso, é de notar, que existe, ainda, um certo preconceito em relação a pessoas com deficiência, o que resulta em atitudes paternalistas ou de exclusão social por parte da sociedade. A falta de educação adequada sobre o que significa viver com deficiência e a ausência de consciência de como essa realidade pode ser superada no contexto desportivo é, até ao momento, um desafio que envolve não só mudanças na forma como os atletas são vistos, como também uma reestruturação no modo como as modalidades paralímpicas são divulgadas e compreendidas pelo público. 


Cada medalha conquistada é mais do que um troféu: é um passo importante na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, revelando-se o desporto como  uma ferramenta poderosa para a transformação social, demonstrando que os atletas paralímpicos são tão capazes quanto outros atletas. Ao brilhar nestas competições, estes atletas quebram barreiras e mostram ao mundo aquilo que é possível quando as oportunidades são iguais.

 

Os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 representaram um passo importante na luta pela igualdade de oportunidades no desporto e na sociedade. As melhorias na inclusão, na diversidade de modalidades e na visibilidade dos atletas são aspectos que merecem ser celebrados. No entanto, ainda existem desafios significativos a serem enfrentados, como a desigualdade de recursos, o preconceito persistente e a necessidade de uma educação mais ampla sobre o que é ser uma pessoa com deficiência. 


Resta-nos apenas esperar que estes desafios sirvam como um apelo para uma transformação social que se caracterize pela inclusão e justiça social.


Daniela Moreira

Departamento Desporto



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