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Mulheres, Portistas, Campeãs e Recordistas

  • Foto do escritor: Hugo Novo
    Hugo Novo
  • há 7 horas
  • 6 min de leitura

No passado domingo, a equipa de futebol masculino do F.C. Porto demonstrou, com a sua atitude em campo, ter  recuperado o ADN vencedor do clube, ao derrotar, não só a equipa do S.C. Braga, como também a equipa de arbitragem comandada por António Nobre, que já é conhecido pelas suas questionáveis arbitragens contra a equipa da cidade Invicta, e que, num dos jogos mais difíceis da temporada, tentou saquear a vitória aos azuis e brancos. Além da equipa de futebol masculino, a época portista também corre de feição noutras modalidades. Apesar de no andebol a equipa não estar na primeira colocação, e, no hóquei em patins, a fase regular do campeonato não ter sido a melhor, a temporada nas modalidades femininas tem sido, literalmente, ouro sobre azul. As nossas atletas já colecionaram títulos e feitos históricos ao serviço do nosso emblema e, tanto a já hegemónica equipa de voleibol como a muito recente equipa de futebol feminino orgulham a nossa massa associativa nas taças, e estão a fazer um campeonato digno do tamanho desta instituição. 


Relativamente à equipa de voleibol, esta teve uma tentativa de fundação nos anos 70, sem muita aderência, tendo a sua atividade sido suspensa. Contudo, cerca de 40 anos depois, em 2019, a direção do nosso eterno Presidente dos Presidentes Jorge Nuno Pinto da Costa decidiu apostar na criação do projeto do clube, tendo criado a equipa em parceria com a Academia José Moreira. O resultado foi nada mais nada menos do que a criação imediata de uma dinastia no voleibol feminino, através da conquista de um pentacampeonato, de 2019/2020 até 2023/2024, pentacampeonato este que, curiosamente, foi o último título conquistado pelo saudoso Presidente do F.C. Porto. 


No entanto, no decorrer desta série hegemónica, na época 2023/2024, ao ser demonstrada a força desta equipa e os resultados avassaladores alcançados por este projeto, o clube decidiu autonomizar esta secção, acabando a parceria com a Academia José Moreira. Depois de um ano desastroso em praticamente todas as modalidades na época 2024/2025, a equipa liderada pelo treinador Miguel Coelho ficou em primeiro na fase regular do campeonato, com uma diferença de sets de 64-12, e venceu o primeiro jogo dos quartos de final do campeonato diante do Vitória S.C. Além disso, as nossas jogadoras de voleibol já conquistaram a Taça de Portugal diante do S.C. Braga, num jogo onde as azuis e brancas venceram por 3-1 no total de sets


Durante este percurso, que culminou em mais um troféu para o clube, as nossas meninas derrotaram equipas fortes, como o Sporting C.P. nos quartos de final e o Colégio Efanor nas meias-finais. Deste plantel destaco a jogadora contratada esta época para a posição de central Kelsey Veltman, que, com uma média de 11,56 pontos por jogo, é a jogadora desta equipa com maior média de pontos por jogo. O facto de ter sido contratada esta época revela claramente uma tentativa de recuperação do título nacional na modalidade e, também, o bom caminho geral do clube para recuperar o domínio numa vasta área de modalidades, que também têm tido a devida atenção da atual direção liderada por André Villas-Boas, um presidente que tem sido incansável em retomar a onda vitoriosa azul e branca, digna da história do nosso clube.


O sucesso desportivo no voleibol feminino já não é nenhuma novidade (pelo contrário, tem sido bastante recorrente), e a ascensão da recém-criada equipa de futebol feminino tem enchido todo o universo de apaixonados por esta instituição de um orgulho imenso. Criada na época passada, como uma das primeiras medidas de André Villas-Boas no cargo de presidente do F.C. Porto, as futebolistas da Invicta foram uma exceção ao desastre desportivo da passada temporada. 


Na Taça da A.F. Porto, foram paradas apenas na final contra uma já experiente equipa do Valadares Gaia, que, sendo uma equipa da primeira divisão, era à altura uma equipa que jogava dois escalões acima da promissora equipa do F.C. Porto. Nesta segunda temporada da equipa feminina, esta tem deixado bem clara a mensagem que os escalões inferiores são uma mera formalidade no caminho rumo ao sucesso. A prestação no segundo escalão tem sido, de facto, avassaladora, e o percurso na Taça de Portugal tem sido de uma autêntica equipa de Primeira Liga, tendo eliminado algumas equipas do escalão acima, assumindo um papel de tomba-gigantes, apesar de não o ser objetivamente, uma vez que, nessas eliminatórias, o gigante, de facto, é o clube azul e branco, o clube que é o melhor de Portugal. 


No caminho até à final da Taça, as nossas craques ultrapassaram nada mais nada menos do que três equipas do primeiro escalão. Depois de demolir os seus primeiros adversários com resultados estonteantes de 24-0 e 0-25, respetivamente, a nossa equipa banalizou o Racing Power, do primeiro escalão, com uma vitória contundente por 3-0. 


Posteriormente, nos oitavos de final, o C.S. Marítimo foi a equipa da elite que foi eliminada nas grandes penalidades, depois de um jogo equilibradíssimo que acabou empatado a uma bola. Sem grande margem para dúvidas, seguiu-se mais uma vitória nos quartos de final da prova, desta vez diante do JuveForce, uma equipa do mesmo escalão das azuis e brancas.


Só que o melhor nesta caminhada rumo à final da Taça estava por vir nas meias-finais. Numa eliminatória a duas mãos, a equipa do Porto conseguiu segurar o jogo fora de casa contra o Vitória S.C., tendo, depois, em casa, demonstrado mais uma vez que o seu lugar é, em qualquer das modalidades, no meio das melhores equipas do país. Considerando que derrotou a equipa vimaranense, conseguiu, assim, em apenas dois anos de história desta modalidade no clube, alcançar a final da Taça de Portugal, onde irá disputar o primeiro clássico feminino da história, diante do S.L. Benfica, o nosso maior rival, no emblemático Estádio Nacional. É certo que este jogo se trata de uma final importante, todavia, todos os portistas têm a noção de que, nesta modalidade, a realidade das duas equipas ainda é substancialmente diferente. 


Enquanto uma equipa é, atualmente, dominante no cenário nacional, a outra ainda está a construir o seu sucesso desde as etapas iniciais, por isso, aconteça o que acontecer nesta final, o orgulho nesta equipa que tanto conquistou e tantos recordes estabeleceu permanecerá intacto, não só pelo que foi feito até agora na Taça como também pelo sublime campeonato que está a ser feito, onde a equipa lidera a classificação e tem apenas um golo sofrido nesta fase da prova. Nesta equipa, comandada pelo técnico Daniel Chaves, destaco um dos reforços desta temporada, a extremo-direito Lily Bryant, que já leva 17 golos em 23 jogos pelo clube. 


Este projeto do futebol feminino, desde o início, parece estar destinado ao sucesso desportivo, não só pelos resultados que tem apresentado, como também pelo apoio dos adeptos a esta modalidade. Logo no primeiro jogo da história da equipa feminina, mais de trinta mil espectadores encheram as bancadas do Estádio do Dragão para apoiar esta equipa, que correspondeu na perfeição, ao golear a União de Leiria por um placar notável de 9-0. O resultado do jogo espelha bem aquilo a que se propõe no mais recente projeto do Porto para a modalidade em questão – montar uma equipa vencedora, capaz de conquistar títulos no país e jogar contra as melhores equipas do mundo na Liga dos Campeões feminina. Os resultados, para já, são promissores, e este conjunto de jogadoras tem demonstrado, principalmente na Taça de Portugal, que consegue ter uma equipa competitiva e que tem como objetivo ganhar troféus relevantes no país. Mais uma vez, o sucesso desta equipa deve-se, principalmente, à atual direção do clube liderada por André Villas-Boas, que acreditou num projeto que se tem revelado muito importante para o clube e que, à semelhança do que tem feito com o clube em geral, tem gerido de forma irrepreensível esta equipa. 


As equipas femininas do F.C. Porto têm honrado a instituição que defendem e a sua grandeza, sendo um motivo de orgulho para os milhões de adeptos que amam este clube. Estas mulheres que entram em campo ou no pavilhão com o emblema mais bonito do mundo nas suas camisolas não têm sido apenas excelentes profissionais - têm contado, de forma ativa, a história vencedora do clube e a importância que as mulheres sempre tiveram para esta instituição. Além disso, através dos seus sucessos e das alegrias que dão a esta leal e apaixonada massa associativa, têm sido a personificação daquelas que ajudaram a escrever a história do clube, desde atletas e treinadoras até às adeptas, demonstrando compromisso, raça, honra, classe, união e amor ao clube, tal e qual as características que as mulheres do Norte têm.


Para concluir, destaco a excelente representação das várias equipas do que é “ser Porto”, e com a convicção de que, cada vez mais, temos o ADN do nosso clube de volta. 



Hugo Novo

Departamento Desporto


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