Mãos com História
- Gabriela Baltazar
- 3 de mar.
- 3 min de leitura
Se houvesse um manual sobre como surpreender o mundo, certamente, após o Campeonato Mundial de Andebol , a nossa seleção escreveria um capítulo épico neste livro. Numa caminhada que se previa tranquila para os gigantes do andebol, eis que aparece Portugal para contrariar todas as “odds”.
Sob a liderança de Paulo Pereira, a equipa nacional iniciou, no passado dia 15 de janeiro, um campeonato mundial que viria a revelar-se histórico. Os “Heróis do Mar” mantiveram-se invictos até às meias-finais, alcançando o melhor resultado luso de sempre. Na fase de grupos, superaram as seleções dos Estados Unidos, Noruega e Brasil, assegurando a liderança do grupo E. Já na ronda principal, arrancaram um empate com a Suécia, derrotaram a Espanha e venceram confortavelmente o Chile, com uma margem de 18 golos. Foi, portanto, vitória atrás de vitória e um empate, só para manter o suspense.
Desde o primeiro jogo, a seleção nacional demonstrou uma postura marcada por intensidade e ambição. Contudo, não se limitou a um arranque promissor - foi além disso. Após sucessivas demonstrações de superação , nos quartos de final, perante a poderosa Alemanha, a equipa provou que os comentadores estrangeiros deveriam começar a aprender, seriamente, a pronunciar os nomes portugueses. Frente a uma das seleções candidatas ao troféu, Portugal entrou, literalmente, com “mãos de gigante” e derrubou o “muro de Berlim”. Desta forma, foi escrita mais uma página de história pelos nossos jogadores que, a cada jogo, conquistavam não só vitórias, mas também o olhar atento e o respeito de quem, até então, pouco se interessava pelo andebol.
A euforia atingiu o auge com a inédita qualificação de Portugal para as meias-finais do Mundial de Andebol. Em Oslo, os lusos defrontaram a Dinamarca, atual campeã mundial. O desafio era gigantesco e, apesar do esforço e determinação, a superioridade dinamarquesa prevaleceu, resultando numa derrota por 40-27. Portugal lutou, suou e fez os adeptos quase terem ataques de ansiedade, mas ainda assim não foi desta vez que se alcançou a tão almejada presença na final.
Na disputa pelo bronze, o adversário foi a França. Mais uma vez, foi um encontro marcado por nervos e esperanças - foi “taco a taco” até ao apito final. Contudo, os franceses acabaram por assegurar a vitória por um golo de diferença. Se é certo que ficou o sabor amargo da derrota, não é menos verdade que se manteve também o orgulho de um quarto lugar memorável. Podemos não ter trazido a medalha, mas conquistamos algo igualmente valioso: o respeito do mundo do andebol.
Não posso terminar este artigo sem fazer especial menção a Kiko Costa. Se houve um nome que se destacou ao longo da competição foi o dele. Com um talento digno de deixar todos “colados” ao ecrã da televisão e um instinto matador, foi distinguido , merecidamente, com o prémio de Melhor Jogador Jovem do Mundial, após ter feito 54 golos e 22 assistências. Um verdadeiro “game-changer” que impulsionou as excelentes exibições da seleção nacional, deixando, desde já, a sua marca no cenário internacional desta modalidade.
Pelo caminho ficam seis triunfos, um empate e duas derrotas, frente à tetracampeã mundial Dinamarca e à campeã europeia França. Apesar dos “Heróis do Mar” não terem conquistado uma medalha, a caminhada de Portugal no Mundial de 2025 foi histórica. O desempenho da equipa demonstrou a capacidade de competir ao mais alto nível e fazer frente a grandes elites mundiais. Portugal afirmou-se como uma das grandes potências emergentes do andebol mundial, provando que, como diria Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
Gabriela Baltazar
Departamento Desporto
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