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O casamento homossexual na Igreja Católica

  • Foto do escritor: Diogo Lamego
    Diogo Lamego
  • 27 de mar.
  • 2 min de leitura

Para alguns católicos, o casamento homossexual poderá ser uma abominação, submetida ao regime infernal. Para mim, é um facto completamente natural, que deve ser aceite pela Igreja.


Antes de mais, começo por dizer que a crítica à homossexualidade não é dogmática, nem infalível. Deste modo, os fiéis da Igreja Católica – tal como eu – podem divulgar livremente a sua perspetiva.


Começo por referir que, como devem saber, a Igreja não condena a orientação homossexual, enquanto tipo de inclinação afetivo-emocional, mas, sim, a respetiva prática de atos homossexuais. Exemplificando: a Igreja não condena o António por ter a inclinação de gostar de homens; mas, antes, condena-o caso se envolva em atividades sexuais com outros do seu género.


Desejo dizer que a mensagem mais valiosa que Cristo nos deixou foi: amai o próximo. Assim, como poderemos criticar uma pessoa que ama o próximo de uma forma emocionalmente profunda, capaz de nutrir uma relação amorosa? Podereis argumentar: a parte do amar o próximo significa ser altruísta e fraterno com o mesmo. Mas será só isso? Não poderemos reivindicar o “amar o próximo” como forma de aceitação de todas as manifestações de amor?


A doutrina da Igreja alicerça-se nos textos sagrados. Eis duas passagens de que a Igreja se baseia para não aceitar/criticar o casamento homossexual:


Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação” (Levítico, 18:22). Este versículo não pode servir para fundamentar a proibição do casamento homossexual, já que este apresenta-se como regra - em conjunto com muitas outras - que deixou de ser aplicada. Deste modo, por que só aplicar seletivamente o conjunto de leis propostas?


“Não se deixem enganar! Nem os imorais, nem os adoradores de falsos deuses, nem os adúlteros, nem os que praticam relações homossexuais […] terão parte no Reino de Deus” (1 Coríntios, 6:9-10). Para além da tradução duvidosa da palavra “homossexual”, São Paulo pretendia criticar os homens que praticavam atos extraconjugais com outros homens – prática comum nos tempos clássicos –, e não as relações homossexuais em si mesmas. 


Ora, se a proibição do casamento homossexual e a reprodução intersexo fosse, de facto, um princípio, então por que razão não está nos Dez Mandamentos, sendo que, nos Dez Mandamentos, o princípio mais importante, no que concerne ao assunto afetivo-sexual, é o estabelecimento da castidade? Se fosse um princípio tão importante e imutável, por que motivo Cristo não proferiu nenhuma palavra relativamente a ele?


Mais vos digo: a passagem “Dizei uma palavra e eu serei salvo”, refletida nos Evangelhos segundo S. Mateus e S. Lucas, possui múltiplas interpretações. Pois bem, uma delas é a de que o “servo” seria um companheiro íntimo do centurião romano, e Cristo, ao curá-lo, não viu a sua orientação ou prática sexual como obstáculo à salvação.


Aguardo uma verdadeira mudança na Igreja. Espero que, daqui a 50 anos, haja um casamento homossexual, a ser ministrado por uma mulher, na Igreja Una Santa Católica Apostólica Romana. 


Diogo Lamego

Departamento Crónicas

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