O Clássico da Política Portuguesa: quem leva o campeonato 2025/2026?
- Gabriela Baltazar
- há 5 horas
- 3 min de leitura
É bastante comum ouvir-se entre os portugueses a frase “política e futebol (e religião) não se discutem”. Tal facto deve-se ao caráter apaixonado e controverso destes assuntos que, numa visão popular, são, constantemente, alvo de confronto e colisão de opiniões. Pois bem, se há algo que o panorama político e desportivo atual nos tem demonstrado é, que estes dois assuntos, apesar de, à primeira vista, serem incompatíveis, possuem mais semelhanças do que se pensa.
No fundo, a política não é muito diferente do futebol e a prova viva dessa semelhança é a dinâmica entre PSD e PS, que se assemelha à do Sporting e Benfica: eternos rivais que, à data em que escrevo este artigo, lutam vigorosamente pelo título.
Depois de Luís Montenegro ter conquistado o título de Primeiro-Ministro na temporada 2024/2025, o mesmo Montenegro e Pedro Nuno Santos são, agora, os principais candidatos ao título de 2025/2026. Haverá uma “dobradinha” do PSD ou, pelo contrário, conseguirá o PS uma reviravolta?
No grande “torneio” da democracia portuguesa, a maioria absoluta é o troféu mais cobiçado. Depois de uma época repleta de cartões vermelhos e queixas ao VAR, os "dois grandes" da política nacional disputam, novamente, o título do XXV Governo Constitucional. Se, por um lado, a estratégia de Pedro Nuno Santos passa por recuperar a posse de bola e voltar a dominar o campo político, por outro lado, Luís Montenegro, o atual detentor do troféu, procura manter o título, sem grandes alterações.
Se, no desporto, uma lesão pode alterar o rumo da época; na política, escândalos e acusações, têm o poder de lesar carreiras e comprometer governos. Além das disputas partidárias, também o próprio funcionamento da casa da democracia portuguesa se assemelha à de um clube desportivo: Montenegro, sentindo que o apoio interno se encontrava fragilizado, optou por apresentar uma moção de confiança, na tentativa de garantir que o plantel continuava a confiar na sua tática. No entanto, a jogada revelou-se arriscada, uma vez que os jogadores já não confiavam na sua tática e, logo, a direção viu-se obrigada a convocar uma nova eleição, já que, em regra, os treinadores tendem a ser substituídos quando não alcançam os resultados esperados.
Nos últimos tempos, a gestão do Governo tem-se assemelhado à de equipas que começam a jogar segundo a tática do tiki-taka: inicialmente, prometem um futebol fluído e bem estruturado, mas, sob pressão, acabam por recorrer a cruzamentos desesperados para a área e lançamentos longos, na esperança que um milagre aconteça. Se o Governo português fosse uma equipa, o seu estilo de jogo seria digno de um daqueles empates sem golos , sem remates à baliza, que desmotiva os adeptos e faz o público desligar a televisão ao intervalo.
Não nos podemos, também, esquecer das equipas do meio da tabela: longe do nível dos “grandes”, mas empenhadas em evitar a despromoção. É certo que, ocasionalmente, têm momentos de destaque, nomeadamente quando conseguem pontuar frente aos líderes; no entanto, maioritariamente, lutam para se manter relevantes e não desaparecer do alvo da atenção pública. Da mesma forma, a tentar lutar pela manutenção no “palco principal” temos as equipas em zona de despromoção que vivem em “modo de sobrevivência”, constantemente à beira do abismo.
Tal como no futebol, a política portuguesa vive dos seus adeptos - dos que discutem cada jogada no café, dos que vão para a rede social X debater com os rivais, dos que entoam cânticos de apoio e dos que exigem a demissão do treinador. As claques partidárias mantêm-se fiéis aos seus emblemas, movidas por aquele “amor à camisola” inabalável; mas a verdadeira decisão estará nas mãos dos mais indecisos, aqueles que, como num campeonato disputado até à última jornada, podem decidir o vencedor nos mais ínfimos detalhes. As urnas são o verdadeiro relvado onde o desfecho se decide - e, para os adeptos, há emoção garantida até ao minuto 90 (ou até aos descontos).
Com as eleições agendadas para o mês de maio que, acaso ou não, coincide com o fim do campeonato português, o país aguarda, com expectativa, o desfecho de ambas as competições. O certo é que nada está decidido até ao apito final e, até lá, ainda há muito jogo para disputar. O campeonato está no seu clímax e o título continua em aberto, mas disto não podemos duvidar: o clássico entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos promete um confronto digno de uma grande final.
Resumindo: conseguirá Luís Montenegro manter o troféu e conquistar o “bi”, ou será Pedro Nuno Santos a surpreender e conquistar o campeonato? Os portugueses vão apostar em novos jogadores ou preferirão manter o onze inicial? Será que vai haver alguma descida ou, pelo contrário, alguma promoção? Quanto a nós, resta-nos assumir o papel dos típicos adeptos portugueses: protestar decisões da arbitragem, criticar o treinador, reclamar com os jogadores… mas nunca deixar de assistir ao jogo.
Gabriela Baltazar
Para o Departamento Crónicas
Comments