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O Governo caiu, outra vez…

  • Foto do escritor: Gonçalo Guilherme
    Gonçalo Guilherme
  • há 10 horas
  • 2 min de leitura

No passado dia 11 de março, o Governo caiu. A normalidade com que se encarou este facto assustou-me um pouco. Se fosse em qualquer outro país, isto seria, sem dúvida alguma, um problema, mas, como foi em Portugal, é só mais uma terça-feira.


Acho que o efeito da queda do governo é semelhante ao provocado pela queda de um idoso na rua: na primeira vez que acontece, ficamos assustados e aproximamo-nos para ver se está tudo bem; na segunda vez, ficamos apenas a olhar, de longe, para ter a certeza que o velhote se levanta; já na terceira, nem olhamos bem, apenas reparamos que o idoso tropeçou e caiu, mas pronto, acontece, e ele lá se há de levantar (ou não).Pois bem, com a queda do governo passou-se o mesmo: há 2 anos, quando caiu, as pessoas estavam preocupadas; no ano passado, já se faziam apostas para ver se o governo caía; este ano, foi só mais uma notícia que já todos esperávamos. 


Efetivamente, isto diz muito sobre nós - portugueses - e, sobretudo, sobre a nossa política. A instabilidade que vivemos é preocupante, e, graças a isto, as eleições estão lentamente a tornar-se tradição. É mais uma daquelas coisas que fazemos todos os anos, como aquelas listas, que se fazem em janeiro, daquilo que vamos fazer diferente neste ano. Ora, tal como essas listas, as eleições de nada valem.


É a mesma coisa que tentar tapar uma barragem que rebentou com um pedaço de fita-cola - não vai funcionar. Existem certas coisas que requerem mudanças, e todos estamos conscientes disso. É fácil apontar os defeitos e realçar o que está mal, difícil é corrigi-los, e dar alternativas reais e passíveis de serem aplicadas. E é difícil porque, por muito que se critique o executivo, se nós fossemos para lá não há qualquer garantia de que faríamos diferente.


Na realidade, o grande problema está na seriedade dos nossos políticos, no compromisso que eles devem ter connosco - o povo que os elegeu para governar -, e não têm. É preciso ser extremamente altruísta para ocupar uma posição de tal poder, sem se deixar corromper e sem permitir que os seus interesses prevaleçam sobre os interesses gerais. Acho difícil, no entanto, que haja pessoas altruístas a este ponto. Se, nas pequenas situações do dia a dia, já se vê este tipo de comportamentos - como o pequeno gesto de ligar a um conhecido no hospital para antecipar uma consulta ou pedir um favor a um amigo para ganhar qualquer vantagem. Se nesta pequena dimensão estas coisas acontecem, por que esperar que numa dimensão maior fosse diferente? Porquê? Porque o impacto será maior? Desde quando é que o impacto de algo impediu alguém de fazer o que lhe apetecesse?


De facto, a situação em que vivemos é complicada. E se estavam à espera de uma resposta a estes problemas ou de uma solução milagrosa para eles, vou ter de pedir desculpa. Desculpo-me, porque não a tenho, nem sei quem a possa ter. Vim apenas desabafar um pouco e partilhar a minha opinião, que, mais uma vez, como as eleições, pouco ou nada vale.


Gonçalo Guilherme

Departamento Crónicas

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