Quando dois mundos colidem
- Carolina Sousa

- 2 de mar.
- 3 min de leitura
Este artigo poderia tanto ser do departamento cultural como do meu querido departamento de desporto e, como tenho o prazer de pertencer a este espaço tão único, será este último a apresentar o tema do crescimento dos filmes, das séries e dos livros dedicados ao desporto.
Não me refiro a obras sobre as regras e estratégias de uma dada modalidade, nem dos documentários que costumam passar na televisão a altas horas da madrugada, mas sim de todas aquelas produções que teletransportam emoções fortes, que nos prendem de tal maneira que ocupam todos os nossos pensamentos e que despertam em nós a necessidade de absorver todo o conhecimento existente sobre elas.
E com o “pano de fundo” do desporto? Isso acaba por ser a cereja no topo do bolo, que eleva o patamar de uma mídia, que por si só, já é excelente. Estes bons exemplos de entretenimento poderão desenvolver histórias de amores trágicos ou de rivalidades ardentes, envolvendo as várias modalidades desportivas que existem pelo mundo fora. Porém, este não é o verdadeiro tema do artigo, mas sim as consequências destas séries para o mundo do desporto, que não são, de todo, só negativas.
Depois da adrenalina que qualquer série de desporto nos pode dar, quase que nos consideramos grandes fãs dessa modalidade, como se uma série de meia dúzia de episódios nos desse qualquer noção do que é realmente um desporto. Mas não nos batemos pela negatividade, pois podemos, realmente, procurar saber mais sobre a modalidade, começar a ver partidas e, quem sabe, até começar a praticá-la quando há possibilidade disso.
Um exemplo mestre desta situação é, sem sombra de dúvidas, a série “Drive to Survive”, da Netflix, que, em 12 episódios cheios de cenas dramáticas e confissões polémicas, resume a temporada anual de F1. Esta série fez com que esta modalidade passasse de um desporto que os nossos pais, há 30 anos, assistiam todos os domingos na RTP e que a cada ano que passava perdia importância, para um dos desportos mais comentados da atualidade… até o nosso primeiro-ministro, Luís Montenegro, insistiu para o trazer de volta ao nosso pequeno cantinho na Europa.
Contudo, nem tudo tem um final feliz, e às vezes a superexposição às redes sociais e a um público que está cada vez mais presente na vida pessoal dos atletas pode danificar a essência destas atividades tão únicas, deixando pelo caminho um pouco da autenticidade e misticidade do desporto em troca de visualizações e comentários nas revistas.
De forma a reforçar o meu ponto de vista, o valor e benefícios que ninguém pode tirar a estes conteúdos (quando bem produzidos, obviamente) são toda uma nova dimensão para o desporto, que não estava habituado a coexistir com a mesma. As “fangirls” poderão ser um problema para os fãs mais conservadores, mas, na realidade, estas são apenas novas adeptas do desporto. Talvez não conheçam todas as regras de trás para a frente, mas têm, acima de tudo, vontade de assistir e aproveitar o desporto como todos os outros.
Antigamente, víamos desporto porque um parente próximo por quem tínhamos um especial carinho gostava ou porque era um desporto que estava muito presente na nossa identidade cultural. Porém, os ventos mudaram, e, agora, podemos começar a acompanhar desporto porque vimos a série do momento… e está tudo bem - o que importa mesmo é aproveitar o jogo.
Carolina Sousa
Departamento Desporto

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