Sejamos mais humanos
- Clara João Santos

- há 3 dias
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A nossa situação de vida é precária, já sabemos. Contudo, Portugal bateu no fundo depois de ter sido reprovada a proposta de subsídio a 100% para doentes oncológicos.
O diploma apresentado pelo BE, PAN, PCP, Chega, Livre e IL teve o voto contra do PSD e CDS-PP, e a abstenção do PS. Atualmente, o subsídio varia entre os 55% e os 75% do rendimento do indivíduo em questão.
Lia Ferreira, do PS, refere que é essencial que se olhe para outras questões e outras doenças crónicas e degenerativas, matérias estas que devem ser observadas em sede de revisão do Código do Trabalho e do Orçamento do Estado. Por sua vez, a deputada Vânia Jesus do PSD menciona o facto de ter sido aumentado para 100%, no atual Orçamento do Estado, o subsídio de assistência a filhos com doença oncológica. A deputada defende o reforço dos apoios de forma gradual, de modo a garantir solidez à Segurança Social. Estes argumentos não são coerentes. Desde logo, o facto de se valorizar uma doença não quer dizer que não se valorizem as outras. Não é por não teres um rebuçado que eu não devo ter esse rebuçado se tenho direito ao mesmo. Não é por cuidar do meu filho que não devo cuidar de mim. Ele estará certamente melhor se eu estiver bem.
É factual que o cancro é uma das doenças que mais destrói o ser humano, tanto mental como fisicamente. Os doentes com baixos rendimentos apresentam níveis ainda mais elevados de stress e ansiedade, o que influencia o agravamento da doença. Há mesmo quem abandone a quimioterapia e os tratamentos para poder pagar as suas despesas, tal como a alimentação e a habitação.
Habitações caríssimas, com rendas “moderadas” a 2300 euros por mês, cabaz da alimentação a atingir o valor mais alto de sempre. Mais vale andar de cavalo do que ter um carro. O que é que nos resta neste país? Certamente há doentes oncológicos com capacidade monetária para cobrir os tratamentos, todavia, nem sempre isto se verifica e, certamente, a escolha que o doente fará será deixar o tratamento em prol de viver. Viver. Algo que não parece ser possível atualmente.
Sejamos mais empáticos, humanos. Cultivemos a humanidade e salvemo-nos deste abismo em que nos encontramos. Juntos.
Clara João Santos Departamento Sociedade

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