SUGESTÕES CULTURAIS DO MÊS DE NOVEMBRO
- Departamento Cultural

- 28 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
O QUE ANDÁMOS A LER, OUVIR E VER NO MÊS DE NOVEMBRO
O Anthropos me Tis Apantiseis: «O homem com as respostas»
Quando a avó morreu, a única âncora que lhe restou foi a sua mãe — com a qual tinha um relacionamento distante: ela abandonou-o ainda em criança e partiu para a Alemanha, onde se fixou e construiu uma nova vida.

Depois do verão, Victor decidiu viajar. A morte da avó levou consigo o último significado daquilo que alguma vez julgou ser seu. Arranjou uns trocos e deixou Grécia, o seu país natal. Nunca soube muito bem para onde ia — talvez Alemanha.
Sem tampouco saber de onde vinha, durante a viagem conheceu Matthias, que, com muito esforço, permitiu que se juntasse a ele naquela jornada. Juntos, vão ao encontro da mãe de Victor. Pelo meio, procuram por respostas, porque todos nós temos perguntas a fazer…
Quem somos, de onde viemos e para onde vamos?
Francisco Paredes
A Morte do Super-Homem – adaptação cinematográfica de um conto de Rui Zink
Luís Carlos (interpretado por João Jesus) propõe-se a fazer uma tese de doutoramento acerca daquele que considera o maior herói de sempre: o Super-Homem – para si, será «a hora do grande rasgo, da epifania na comunidade académica».

Solitário, deambulante e erroneamente crente que é capaz de gerir o seu vício em cocaína e heroína, Luís Carlos regressa à capital depois de uma viagem a Boston para pesquisar sobre seu tema. Em Lisboa, o seu mundo desaba: as notícias revelam que o Super-Homem está morto. E agora? É o fim da tese? Estarei condenado a dar aulas numa qualquer Escola Secundária? A angústia experienciada por Luís Carlos é o clique que faltava para sucumbir ao mundo da droga e «voar em direção ao sol».
«O Super-Homem a bater a bota? Estes gajos inventam com cada uma…»
Beatriz de Oliveira Loureiro
A mão de Deus (2021), de Paolo Sorrentino (disponível na Netflix)

Em È stata la mano di Dio, Paolo Sorrentino apresenta-nos uma “reinvenção autobiográfica”, na qual incorpora o protagonista, o jovem Fabietto. Numa Nápoles dos anos 80, Fabietto vive a transição para a idade adulta e questiona o seu futuro quando a cidade começa a gerar em si sentimentos contraditórios: por um lado, uma nostalgia profunda, ligada à família e ao seu ídolo da adolescência, Diego Maradona, que se tornaria um símbolo da cidade pelo seu legado (não só futebolístico – recordando o célebre golo com a mão de Deus - mas também político); por outro lado, uma urgência de fuga a um lugar de sofrimento.
A cidade do caos e da superstição, de misteriosa beleza, acabará por alimentar em Fabietto o desejo de perseguir um sonho, motivando, porém, uma necessária saída para o concretizar.
Beatriz Castro
The Crown, 5ª Temporada - Da Rainha ao Infante
Foi lançada, no passado dia 9 de novembro, a 5.ª temporada de The Crown, aclamada série sobre a Família Real Britânica — trata-se, aliás, da primeira a ser disponibilizada após o falecimento da Rainha Isabel II.
Reconhecida pela qualidade manente, a verdade é que esta última adição ao catálogo representa uma descida do nível face ao que a Netflix nos habituou.
A season 5 foca-se, essencialmente, no divórcio do então Príncipe Carlos e da Princesa Diana; ora, tal simboliza uma mudança de foco, com o papel de Lilibet a ser secundarizado. Ademais, apesar do elenco impecável, por vezes nota-se alguma alteridade nas representações, como, por exemplo, no temperamento de Príncipe Filipe (Jonathan Pryce), na aparência da Rainha Mãe (Marcia Warren) e na caracterização de Carlos III (Dominic West). Sente-se, para além disso, a falta de trama política, um dos elementos basilares da série.

Não obstante, ainda resistem momentos de magistralidade — os episódios que abordam os Romanov e a vida de Mohamed Al-Fayed situam-se nos píncaros da cinematografia. Apesar de algumas mudanças, a quinta temporada de The Crown permanece uma sugestão obrigatória.
João Vilas Boas






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