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Vencemos! E agora?

  • Foto do escritor: Carolina Sousa
    Carolina Sousa
  • 7 de abr.
  • 3 min de leitura

Após um ano de conquistas, derrotas, suor e lágrimas, estamos cada vez mais perto da reta final e é cada vez mais difícil evitar a construção de projetos para o futuro. Quem queremos ser, o que planeamos fazer e que objetivos pretendemos cumprir, ocupam as nossas mentes cada vez mais. 


A verdade é que, depois da doce e gloriosa vitória, vem sempre o receio do futuro. Sim, atingimos os nossos objetivos. E agora? Não nos podemos entregar ao prazer de ficar sentados e esperar que o futuro se construa sozinho. Como também não podemos apenas vangloriar-nos do que já conquistamos e do que, um dia, já fomos.


No nosso caso, pensamos logo na perspetiva académica e na carreira profissional. Porém, o que será que aguarda o futuro dos nossos atletas? Nem todos têm a possibilidade de ser o famoso CR7, que, aos 41 anos, ainda possui contratos milionários e convocatórias para a seleção. Será que para os restantes aguarda um futuro tão brilhante? Na grande maioria dos casos, um emprego das “9 às 5”, que dificilmente paga as contas, é o panorama de muitos. A vida não está fácil para ninguém e muito menos para o comum dos atletas profissionais, que, com vinte e muitos anos, já pensam no que será deles quando a carreira terminar.


A resposta mais imediata para o fim destas carreiras desportivas é uma formação que se insira na área do desporto, que mantém a chama acesa, mas vista de uma lente diferente. O principal objetivo destes ex-atletas é conseguirem, simultaneamente, passar às camadas mais jovens os seus conhecimentos, de forma a que estes não cometam os erros que eles próprios cometeram, como ainda estarem presentes em algo que outrora foi tudo para eles.


A questão aqui é que deveriam existir apoios que fizessem com que esta mudança não fosse tão brusca e dramática. Estes jovens adultos, como tantos outros, e como nós um dia viremos a ser, têm um Governo de costas viradas para si, enquanto fazem falsas promessas de apoios aos jovens. Estes atletas, que no passado levaram Portugal mais longe e lutaram para que o nosso país fosse conhecido lá fora no mundo do desporto, são deixados de parte, quando a idade começa a aumentar. 


É certo que existem muitos apoios para os jovens atletas universitários, como o estatuto atleta-estudante do ensino superior, mas também são necessárias medidas de apoio na transição de carreira.


Apesar de este apoio ainda ser escasso, o COP (Comité Olímpico Português) e o IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) decidiram inovar ao assinarem um protocolo de apoio no final da atividade desportiva e na entrada no mercado de trabalho no dia 17 de março deste ano. Após a cerimónia de assinatura do protocolo, vários atletas participaram numa mesa-redonda sobre o assunto, como a maratonista Sara Catarina Ribeiro, que afirmou: «Sinto que somos barrados logo na análise curricular e só teremos a sorte de ser contratados se nos derem a oportunidade de partilhar o nosso lado e as dificuldades».


Virar a atenção para estes atletas em fim de carreira tem de começar a ser mais comentado, como forma de mostrar às gerações de jovens atletas futuras que a carreira desportiva não é uma estrada sem saída, mas sim uma estrada que poderá levar a vários caminhos e possibilidades.


Fonte da notícia:

Carolina Sousa

Departamento de Desporto


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